Faltando uma semana para a abertura oficial do Festival Internacional de Capoeira, a organização do evento ainda negocia apoio da Prefeitura de Salvador, do Governo da Bahia e de patrocinadores. A infra-estrutura do Forte da Capoeira, o aluguel do ginásio Antônio Balbino e a confecção de 400 uniformes para crianças de comunidades atendidas pelo Projeto Abadaxé são os itens mais importantes da lista de pendências.
Embora o recém-empossado como titular da Secretaria de Esportes e Lazer (SMEL) de Salvador, Acelino Popó de Freitas, garanta “todo apoio necessário ao evento”, os capoeiristas reclamam que apenas a cessão de ambulâncias, banheiros químicos, policiamento, fiscalização de trânsito, toldos e palco com iluminação e som para a festa de encerramento, no Farol da Barra, não é suficiente. “Estamos fazendo uma ação significativa para a cidade e a SMEL só ofereceu a estrutura mínima”, reclama Carlos Eduardo dos Santos e Silva, 40, coordenador da Abadá no Nordeste, mais conhecido como Mestrando Duende.
Para Duende, iniciativas como o projeto Capoeira Viva, parceria entre Petrobras e Furnas, representam apenas “o mínimo em relação às necessidades da capoeira. “São muitos anos de desamparo. Quando se fala em recursos da ordem de R$ 300 mil para um evento internacional, os investidores ficam sem entender. Eles ainda pensam em investimentos mínimos, como a confecção de camisetas, mas se esquecem que para esse tipo de investimento, o retorno também é mínimo”, desabafa Duende.
Mais diplomático, Mestre Camisa preferiu declarar apenas que “ainda tem esperança de conseguir todo o apoio que necessita”. O fundador da Abadá teve de retardar sua chegada a Salvador, programada para a semana passada, para ir a Brasília tentar conversar com o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, sobre a liberação de verbas para o Festival. “A greve de dois meses dos servidores federais da Cultura atrapalhou muito a nossa vida”, lamentou Camisa.
Mesmo que disponha de tudo o que precisa, a organização do Festival já foi prejudicada. A previsão inicial de utilizar o Centro de Convenções como palco para os Jogos Mundiais foi por água abaixo, porque o pedido de reserva foi feito há apenas três meses, quando o espaço já estava comprometido com a realização de outro evento.
Desta forma, o Forte da Capoeira, em Santo Antônio Além do Carmo, que deveria ser apenas um coadjuvante, acabou ganhando status de protagonista. Segundo o adminsitrador do Forte, José Leal, o espaço comporta “ até mil pessoas confortavelmente”. No entanto, a Abadá espera mais de 7 mil pessoas entre capoeiristas locais e visitantes desde a abertura, na próxima segunda-feira, até o encerramento da jornada.